Que tal falarmos um pouco de contos clássicos?


Clássicos ou não tão clássicos assim, o que importa de verdade é que um dos gêneros literários mais cativantes está presente na obra completa de grandes nomes da literatura. Alguns autores se dedicaram quase que exclusivamente a estas histórias menores (menores apenas em número de páginas, não em sua importância), como por exemplo: Borges, Edgar Alan Poe e Kafka. No Brasil temos também grandes nomes na história dos contos como Rubem Fonseca, Guimarães Rosa e Clarice Lispector.

O que me motivou, na realidade, a escrever sobre contos clássicos foi o concurso da Amazon com O Globo, onde os interessados em participar deveriam publicar um conto inédito, de sua autoria na plataforma de publicação do Kindle, o KDP. Eu, por alguma razão do destino e por uma esperança quase ingênua, resolvi escrever um conto assim que soube deste concurso e o inscrevi nos últimos dias (foi por muito pouco, galera, por muito pouco).

Passeando pelos contos publicados, lendo sinopses, vendo capas e até mesmo lendo alguns dos contos inscritos no concurso eu pude notar a imensidão de pessoas que inscreviam os seus contos, não apenas no concurso, mas na plataforma mesmo para venda como ebook. Algo me incomoda nas histórias atuais dos jovens aspirantes a escritores, o caminho parece ser o mesmo sempre. A sede pela história mais comercial, pelo conteúdo mais vendável é quase a intenção principal. A enxurrada de distopias, de contos eróticos e sensuais é assustadora. Não que isso seja ruim, calma. Não estou aqui para julgar o que cada um resolve escrever, mas é apenas assustador.

Contos como “Nenhum caminho para o paraíso” de Bukowski ou “Diante da lei” de Kafka possuem uma despretensão tremenda, praticamente necessária para a construção dos mesmos. É a poesia em sua forma mais completa. São contos que te passam uma moral, mesmo que ela não esteja bem explícita. São contos que utilizando metáforas constroem histórias ricas e fazendo uso da poesia intrínseca na obra, te mostram como é a leveza de uma escrita clássica.

Vendo os contos publicados senti falta deste material. É óbvio que o estilo de escrita mudou, assim como as histórias que temos para contar, mas me preocupa a ausência cada vez mais nítida deste estilo nas obras dos jovens escritores. Bem, é claro que também isso não significa que não temos nenhum jovem escritor se inspirando em Machado de Assis, por exemplo, para escrever as suas histórias. Acredito que o amor pela literatura é o mais importante e assim como as boas histórias, se faz eterno no conceito de tempo que conhecemos.

Vou listar aqui cinco contos que li ou reli nestes últimos dias e os tenho agora como os meus preferidos, eles estão entre os considerados “100 melhores contos da Literatura Universal”. Caso você não tenha lido algum deles, não perca tempo! 

  1. Diante da lei – Franz Kafka 
  2. Nenhum caminho para o paraíso – Charles Bukowski 
  3. Missa do galo – Machado de Assis 
  4. Óleo de Cão – Ambrose Bierce 
  5. O afogado mais bonito do mundo – Gabriel Garcia Márquez 


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About Nivaldo Junior

Caiçara de 21 anos, sagitariano, estudante de Propaganda e Marketing. 75% do tempo com fones de ouvido. Não passa um dia sem ouvir músicas e descobrir novas séries e filmes para assistir. Reservado, passional e leitor ávido.

1 comentários:

  1. Eu adorei o seu post. Tb adoro ler contos, principalmente os machadianos. Adoro o conto "A cartomante". O final desse conto é genial. É uma pena que hj em dia os escritores brasileiros estejam tão distantes dos autores clássicos... Nossa inspiração deveria vir desses autores tão magníficos.
    Abraço.
    Paula
    sendofeliz.com.br

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