Jogador Nº 1 - Ernest Cline


Como toda distopia, Jogador Nº 1 se passa em um futuro nada agradável, dessa vez o mundo está passando por uma escassez de recursos naturais e por conta disso tomado por crises de energia, consequentemente grande parte da população vive em meio a pobreza e miséria. O único refúgio que as pessoas passaram a ter para fugir dessa terrível realidade é o game de realidade virtual Oasis, criado pelo incrível designer de jogos James Hallydey. No Oasis as pessoas usam seus avatares para trabalhar, estudar, interagir com outras pessoas e é claro jogar.
James Halliday, foi o típico nerd dos anos 80 e se tornou um grande fanático por essa época, ele acaba morrendo e por não ter nenhum herdeiro cria uma missão: Ele escondeu um Easter Egg dentro do vasto jogo e o primeiro jogador que conseguir desvendar todas as pistas e encontrar o tal Easter Egg ficará com toda sua fortuna. As regras são bem simples:

"Três chaves escondidas abrem três portões guardados,e três boas qualidades deveram ser inerentes ao errante avaliado,
quem demonstrar ter os exigidos predicados,
chegará ao fim, onde o prêmio será alcançado."



É claro que o mundo inteiro fica alvoroçado atrás do tal Easter Egg e eis que surge a "Caça ao Ovo". Porém após passarem-se cinco anos e ninguém encontrar nenhuma pista as pessoas começaram a achar que aquilo foi apenas uma piada. Eis que de repente em uma noite um nome surge em primeiro lugar no ranking da Caça: Parzival. Que na verdade é Wade Watts, o narrador da história.
Wade é um garoto de 17 anos, pobre, vive em um parque de trailer, um dos poucos que depois de tanto tempo ainda acreditava na Caça e após o nome do seu avatar ter aparecido no ranking ele se vê em uma corrida perigosa, onde inclusive sua vida (no mundo real) está sendo ameaçada pela empresa IOI, que quer a todo custo ganhar a caça e controlar todo o Oasis.


Quem gostou de Stranger Things, com certeza irá amar Jogador Nº 1, já que como Halliday era aficionado pela cultura pop dos anos 80 todas as pistas para caça tem a ver com a década, na verdade não só as pistas, mas praticamente o livro todo é repleto de referências a músicas, filmes, games daquela época. Então toda aquela sensação nostálgica que se tem assistindo a série, também acontece ao ler o livro.
Ernest Cline tem uma narrativa extremamente fluida e dinâmica, onde até mesmo nas partes onde não temos ação, como as grandes passagens de tempo não tornam a leitura cansativa, é quase que como jogar um videogame só que lendo, principalmente nos momentos onde Wade está fazendo algum teste.
Wade é um protagonista muito bem desenvolvido, embora a princípio ele seja basicamente o estereótipo de Nerd dos anos 80 (gordo, antissocial e com baixa autoestima), você vê o crescimento dele conforme a história vai se passando e como um típico adolescente muitas vezes a gente vai querer dar um soco na cara dele.


Mesmo passando 90% do tempo dentro do Oasis, o livro faz uma crítica muito bem trabalhada sobre a nossa sociedade atual e como estamos deixando de viver e participar da sociedade em si para ficarmos no mundo virtual, seja por meio do computador, pelos smartphones ou games.
Um ponto negativo que eu senti muito na história é que em vários momentos a história utiliza do Deus Ex-Machina, então vira e mexe parece que em alguns momentos onde os personagens estão em grandes apuros a solução aparece praticamente vinda do céu ou que o protagonista tem muita, MUITA sorte. Porém isso não atrapalha em quase nada no saldo geral da trama.


Jogador Nº 1 é um livro claramente feito por um geek, para geeks. Embora tenham alguns problemas, ele tem uma trama muito bem construída, com personagens bem desenvolvidos e com uma leitura extremamente viciante, daquelas que é difícil parar de ler, ele definitivamente foi um dos melhores livros que li em 2016.
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About Erick Sant Ana

22 anos, também conhecido como o terror das Coca-Colas alheias, hiperativo e desatento é mestre na arte de esbarrar derrubar e quebrar coisas. Leitor compulsivo e portador da doença "não dormi direito, pois estava assistindo séries". A frase que você mais vai ouvi-lo dizer é "To com fome" e tem o péssimo hábito de falar de si mesmo na 3ª pessoa.

8 comentários:

  1. Olá! Eu ameei esse livro quando li! Realmente é altamente viciante, li acho que em dois ou três dias hahaha Concordo com essa parte de do personagem ter muita sorte do nada, alguns momentos pareceu até meio boba as soluções aparecerem daquele jeito, mas no geral o livro é muito bom.
    Beijo!
    http://booksmanybooks.blogspot.com.br/

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  2. SOi Erick!
    Cara uma distopia geek com referências aos anos 80....não tem como dar errado!
    Simplesmente uma das melhores combinações pra história.
    Até hoje não vi alguém falar mal desse livro,só elogios mesmo.
    Ansioso pra ler!
    Abraços!

    http://livreirocultural.blogspot.com.br/

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  3. Oi!!

    Eu gosto bastante do gênero e estava bastante curiosa, confesso...Mas eu estava numa onda muito boa de leitura, então me mantive longe de tv e computador.
    Sua resenha positiva e a comparação com stranger things me estimularam a assistir.

    Bjs

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  4. Sempre tive a curiosidade de ler o livro, porém nunca tive a oportunidade, mas depois dessa resenha e de você comparar a obra com Stranger Things, nada me impedirá mais! rs
    Muito bem elabora a resenha!

    Abraços!

    http://www.hojeediadelivro.com.br/

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  5. Olá, tudo bem por aí?

    Nossa, eu achei a premissa dessa obra muito interessante. Eu adoro esse universo dos games e, apesar de não jogar mais tanto ultimamente, eu ainda gosto muito. Parabéns pela resenha!

    Feliz 2017, abraços!
    www.acampamentodaleitura.com

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  6. Olá! Não conhecia o livro ainda e confesso que não me chamou a atenção... Não curto muito quando o assunto é games... Deixo a dica passar dessa vez.

    Beijo
    http://albumdeleitura.blogspot.com.br/

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  7. Oi Erick, essa é minha atual leitura...estou adorando, nostalgia total.

    Adorei sua resenha, parabéns!

    Abraços

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  8. Oi Erick!
    Só vejo boas recomendações desse livro.
    Além do fato de ser uma distopia,gênero que eu adoro,o livro tem várias referências aos anos 80 que por mais que eu não tenha vivido,adoro todo o clima da época.
    Com certeza pretendo ler,aliás já passou do tempo kkkkkkkk
    Abraços!

    http://livreirocultural.blogspot.com.br/

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